Alimentação e comportamento do cão: existe relação?
Quando vivemos com um cão, costumamos prestar atenção a aspetos como o exercício, o descanso, o jogo ou o vínculo que construímos com ele. No entanto, existe outro fator que também faz parte do seu bem-estar e que, por vezes, passa mais despercebido: a alimentação.
Falar de alimentação e comportamento do cão não significa pensar que um alimento vá mudar por si só a conduta de um cão. O comportamento é sempre o resultado de muitos fatores que interagem entre si: a saúde, as emoções, as experiências vividas, o ambiente, o descanso, a qualidade dos vínculos e, claro, também a alimentação.
Ao longo do meu percurso profissional, comprovei que, quando observamos o cão com um olhar global, entendemos muito melhor o que ele precisa. O seu comportamento não aparece de forma isolada; é uma forma de expressar como se sente física e emocionalmente.
Como influencia a alimentação o comportamento do cão?
A alimentação aporta muito mais do que energia. Também participa no correto funcionamento do organismo e do sistema nervoso, o que pode influenciar a forma como o cão enfrenta o seu dia a dia.
No meu caso, este aspeto ganha uma importância especial porque vivo e trabalho com cães que participam em sessões de intervenção assistida. Cuidar deles significa atender a muitos pequenos detalhes: respeitar os seus tempos de descanso, oferecer-lhes oportunidades para brincar e explorar, observar as suas necessidades individuais e procurar que desfrutem de uma alimentação equilibrada e adaptada a cada etapa da sua vida.
Digo sempre que um cão que acompanha outras pessoas merece ser, antes de mais, um cão cuidado. Por isso, tento que o bem-estar das minhas cadelas esteja presente tanto dentro como fora das sessões. Não porque espere um comportamento concreto, mas porque a sua saúde física e emocional deve sempre colocar-se à frente de qualquer intervenção.
Esta forma de entender o bem-estar também a partilho com muitas das famílias com quem trabalho. Nas sessões, costumamos falar do descanso, do enriquecimento ambiental, do exercício, das emoções e também da alimentação. Porque todos estes aspetos estão conectados e contribuem para o equilíbrio do cão.
Nutrientes que afetam o estado de ânimo e a conduta canina
Embora nenhum alimento modifique por si só o comportamento, alguns nutrientes desempenham um papel importante no funcionamento do organismo.
Os ácidos gordos ómega-3 participam no desenvolvimento e manutenção do sistema nervoso. As proteínas de qualidade aportam aminoácidos essenciais implicados em numerosos processos fisiológicos. Da mesma forma, vitaminas do grupo B e minerais como o magnésio ou o zinco intervêm em funções relacionadas com o bem-estar geral.
Mais do que procurar um nutriente concreto, considero muito mais importante oferecer uma alimentação completa, adaptada às necessidades individuais do cão e revista por profissionais quando necessário.
Sinais de que a dieta está a alterar o comportamento do seu cão
Cada cão expressa o mal-estar de uma maneira diferente. Alguns sinais que nos podem fazer refletir são:
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Mudanças notórias no nível de energia.
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Maior irritabilidade ou dificuldade em relaxar.
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Alterações digestivas frequentes.
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Mudanças importantes no apetite.
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Menor interesse pelo jogo ou pela interação.
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Variações em condutas habituais.
Estes sinais não significam necessariamente que a alimentação seja a causa do problema, mas convidam-nos a observar o cão de uma forma mais completa e, se for necessário, consultar o veterinário.
Alimentos naturais que favorecem o equilíbrio emocional
Quando fazem parte de uma alimentação equilibrada e adaptada a cada cão, alguns alimentos naturais podem contribuir para o seu bem-estar geral.
O peixe azul aporta ácidos gordos ómega-3. O ovo e o peru são fontes de proteínas de qualidade. Algumas frutas e legumes aptos para cães, como a abóbora, a cenoura ou os mirtilos, também podem fazer parte de determinadas dietas.
Para além de um alimento concreto, gosto de pensar que cuidar da alimentação também é uma forma de cuidar do vínculo. Observar como se encontra o nosso cão, adaptar as suas necessidades a cada etapa da vida e prestar atenção àquilo que lhe faz bem faz parte do respeito com que decidimos viver com ele.
Porque o bem-estar raramente depende de um único aspeto. Constrói-se graças a muitos pequenos cuidados quotidianos.
Tabela: nutriente, função e efeito na conduta
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Nutriente |
Função |
Efeito na conduta |
|
Ómega-3 |
Favorece o funcionamento do sistema nervoso |
Pode contribuir para o bem-estar geral |
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Proteínas de qualidade |
Aportam aminoácidos essenciais |
Favorecem o correto funcionamento do organismo |
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Vitaminas do grupo B |
Participam em funções neurológicas |
Contribuem para o equilíbrio geral |
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Magnésio |
Intervém em numerosos processos fisiológicos |
Favorece o bem-estar do organismo |
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Zinco |
Participa em funções metabólicas |
Ajuda na manutenção da saúde |
Perguntas frequentes sobre alimentação e comportamento canino
Existe realmente relação entre a alimentação e o comportamento do cão?
Sim. A alimentação pode influenciar o bem-estar do cão e, consequentemente, também alguns aspetos do seu comportamento. No entanto, devemos entendê-la sempre como uma peça mais dentro de um conjunto muito mais amplo.
Mudar a alimentação resolverá um problema de comportamento?
Não necessariamente. Antes de tirar conclusões convém avaliar também a saúde, o ambiente, as emoções, o descanso e as experiências que o cão está a viver.
É recomendável oferecer alimentação natural?
Pode ser uma boa opção quando está corretamente formulada e adaptada às necessidades individuais do cão. Perante qualquer mudança importante na dieta, é recomendável contar com o aconselhamento de um profissional.
O que posso fazer se notar mudanças no comportamento do meu cão?
O primeiro passo é observar sem julgar. Depois, avaliar o seu estado de saúde com o veterinário e rever de forma global o seu bem-estar. Muitas vezes a resposta não está num único aspeto, mas na soma de pequenos detalhes.
Quando deixamos de nos perguntar "o que se passa com o meu cão?" para começar a perguntar-nos "o que estará ele a tentar dizer-me?", começamos a olhá-lo de um lugar muito mais respeitoso. E talvez aí descubramos que cuidar do seu bem-estar também significa escutar aquilo que nem sempre expressa com palavras.
Com carinho,
Beatriz
Psicopedagogia Emocional
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