O que a comida nos diz sobre o nosso cão
Quando convivemos com um cão, aprendemos a reconhecer muitas das suas formas de comunicar. Um movimento da cauda, um olhar, uma postura corporal ou até a forma como procura a nossa companhia podem dizer-nos muito sobre como se sente. No entanto, existe outro aspeto a que, por vezes, prestamos menos atenção e que também nos pode falar sobre o seu bem-estar: a alimentação.
A alimentação natural para cães não consiste apenas em oferecer ingredientes de qualidade. Também implica observar como cada cão responde ao que come, compreender que cada organismo é diferente e recordar que o bem-estar se constrói a partir de muitos pequenos cuidados.
Ao longo da minha experiência a acompanhar cães em sess ões de intervenção assistida e a trabalhar com famílias, comprovei que a alimentação costuma fazer parte daquelas conversas que, sem fazer muito ruído, acabam por marcar a diferença. Não porque exista um alimento perfeito, mas porque aprender a observar o nosso cão também significa escutar o que o seu corpo tenta dizer-nos.
O que revela a alimentação sobre a saúde do seu cão?
A comida pode oferecer-nos muita informação sobre o estado geral de um cão.
Não falamos apenas do apetite. Também vale a pena reparar na sua energia, na qualidade do pelo, no estado da pele, nas digestões ou na forma como encara a sua rotina diária.
No meu caso, o bem-estar das cadelas que participam em intervenção assistida está sempre à frente de qualquer sessão. Cuidar delas significa respeitar os seus tempos de descanso, oferecer-lhes momentos de jogo, atender às suas necessidades emocionais e prestar muita atenção à sua alimentação.
Uma cadela que acompanha outras pessoas precisa de estar bem, não apenas fisicamente, mas também emocionalmente. E esse bem-estar começa muito antes de iniciar uma atividade.
Tento partilhar esta mesma abordagem com as famílias com as quais trabalho. Quando falamos do bem-estar dos seus cães, a alimentação faz parte de um olhar muito mais vasto que inclui o descanso, o exercício, o enriquecimento ambiental, a convivência e o respeito pelas suas necessidades individuais.
Como interpretar os sinais digestivos segundo a dieta?
O sistema digestivo também nos fala.
Alterações nas fezes, gases frequentes, vómitos, perda de apetite ou desconforto após as refeições podem ser sinais de que algo merece a nossa atenção.
Isso não significa que exista sempre um problema relacionado com a alimentação, mas sim que convém observar estas alterações e consultar o veterinário quando aparecem de forma repetida.
Muitas vezes procuramos respostas imediatas quando, na verdade, basta parar um momento e olhar para o nosso cão com calma.
A observação continua a ser uma das ferramentas mais valiosas para cuidar do seu bem-estar.
Relação entre a comida natural e o bem-estar do cão
São cada vez mais as famílias que apostam na alimentação natural para cães, procurando uma dieta adaptada às necessidades individuais de cada animal.
Para além do tipo de alimentação escolhida, o que é realmente importante é que seja completa, equilibrada e adequada para cada fase da vida.
Em casa, aprendi que alimentar também é uma forma de cuidar. Observar como lhes cai um alimento, adaptar pequenas coisas quando necessário e respeitar as suas necessidades faz parte desse vínculo que construímos dia após dia.
À semelhança do que fazemos com o descanso ou quando procuramos oferecer experiências enriquecedoras, a alimentação também contribui para que os nossos cães desfrutem de uma vida mais saudável e equilibrada.
Sinais de uma boa ou uma má alimentação canina
O nosso cão pode dar-nos muitas pistas sobre se a sua alimentação está a suprir as suas necessidades.
Alguns sinais positivos são:
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Peso adequado.
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Pelo brilhante.
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Pele saudável.
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Boa energia.
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Digestões normais.
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Interesse pela comida sem ansiedade excessiva.
Pelo contrário, convém prestar atenção quando aparecem:
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Alterações importantes de peso.
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Pelo baço.
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Alterações digestivas frequentes.
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Fadiga pouco habitual.
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Desconforto depois de comer.
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Perda continuada de apetite.
Estes sinais nunca devem ser interpretados de forma isolada. O importante é observar o cão como um todo e avaliar sempre o seu bem-estar a partir de uma perspetiva global.
Tabela: sinal, possível causa alimentar e solução
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Sinal |
Possível causa alimentar |
Solução |
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Fezes moles frequentes |
Mudança brusca de alimentação ou baixa digestibilidade |
Rever a dieta com o veterinário |
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Pelo baço |
Alimentação pouco equilibrada |
Avaliar a qualidade nutricional |
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Pouco apetite |
Desconforto digestivo ou alterações na rotina |
Observar e consultar se persistir |
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Gases frequentes |
Alimentos pouco digestíveis |
Rever a composição da dieta |
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Variações de peso |
Quantidade ou aporte nutricional inadequado |
Ajustar a alimentação segundo as suas necessidades |
Perguntas frequentes sobre a alimentação do seu cão
A alimentação natural para cães é adequada para todos?
Cada cão é único. O importante é que a alimentação cubra as suas necessidades nutricionais e se adapte à sua idade, estado de saúde e estilo de vida.
Como posso saber se um alimento lhe está a fazer bem?
Observe a sua energia, a qualidade do pelo, a pele, as digestões, as fezes e o seu bem-estar geral. As pequenas mudanças costumam fornecer muita informação.
Devo mudar a alimentação se notar alterações digestivas?
Antes de realizar mudanças importantes, é recomendável consultar o veterinário para avaliar qual pode ser a causa.
Que papel tem a alimentação dentro do bem-estar do cão?
É uma peça importante, mas não a única. O bem-estar também depende do descanso, do exercício, do ambiente, da saúde, dos vínculos e do respeito pelas necessidades individuais de cada cão.
No final, conviver com um cão também significa aprender a escutar aquilo que ele não consegue expressar com palavras. Quando observamos com calma, descobrimos que muitas respostas estavam diante de nós desde o princípio. Porque cuidar de um cão não consiste apenas em encher a sua taça, mas em interessarmo-nos pela forma como se sente todos os dias.
Com carinho,
Beatriz
Psicopedagogia Emocional
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